Artigo da Mila Burns, jornalista, antropóloga e apresentadora da TV Globo Internacional em Nova York.
Depois do sucesso na Europa, o Grupo Corpo traz nova temporada de seu mais novo espetáculo, Sem mim. Inspirado no mar (de Vigo) e nos amores que ele leva e traz, a nova coreografia representa as distinções entre o masculino e o feminino, mostrando suas relações de forma leve e, ao mesmo tempo, forte, assim como o oceano.
Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, cenografia e iluminação de Paulo Pederneiras, e figurinos de Freusa Zechmeister, a mais recente criação da companhia mineira de dança é embalada por ‘cantigas de amigo, numa trilha original do músico e compositor galego Carlos Núñez e pelo paulista José Miguel Wisnik, com com as participações vocais de Milton Nascimento, Chico Buarque, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Rita Ribeiro e Jussara Silveira, além do próprio Wisnik.
O espetáculo Sem Mim terá como companhia o espetáculo Benguelê (1998), que é uma exaltação ao passado africano e às suas marcantes e profundas raízes na cultura brasileira. Riscando do palco, sem nenhum pudor, qualquer vestígio da técnica clássica - que, no entanto, presente na formação dos bailarinos, dá suporte à complexa coreografia - o coreógrafo evoca, do início ao fim, ritmos afro-brasileiros como o maracatu, o candomblé e o congado. A diversidade rítmica ganha vida ao som da música inspirada do compositor, cantor e violonista João Bosco.
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Ouça o Lundu gravado por Carlos Nuñez com The Chieftains em Alma Latina. Em http://archive.org/details/AlmaLatina escolha o último programa (nº 13), deixe carregar (às vezes leva um certo tempo…), posicione em 54:40 e ouça os últimos minutos do programa.
Santander traz o músico espanhol Carlos Núñez, “o Jimi Hendrix da gaita”, para tournée brasileira em quatro capitais : Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo.
O grupo é formado por Carlos Núñez (gaita de fole, flautas, ocarina), Pancho Alvarez (bouzouki), Xurxo Nuñez (percussão) e Niamh Ni Charra (rabeca irlandesa e concertina). Todos são originários da Galícia, com exceção de Niamh Ni Charra que é irlandesa.
RIO DE JANEIRO DIA 28 DE SETEMBRO (QUARTA-FEIRA) 21 HORAS ESPAÇO TOM JOBIM (Rua Jardim Botânico, 1008)
INGRESSOS = R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia entrada para estudantes, idosos e funcionários do JBRJ munidos de crachá)
INFORMAÇÕES: 21 – 2274-7012 Vendas na Bilheteria do teatro, a partir de 10 de setembro – segunda a sexta, das 14 às 18 horas e sábados, das 15 às 18 horas. Pagamento somente em dinheiro
BELO HORIZONTE DIA 29 DE SETEMBRO (QUINTA-FEIRA) 21 HORAS TEATRO DOM SILVÉRIO (Av. Nossa Sra. do Carmo, 230 – Carmo)
INGRESSOS = R$ 20,00 Vendas na bilheteria do Chevrolet Hall e Tickets for Fun Informações: 31 – 3209.8989
PORTO ALEGRE DIA 01 DE OUTUBRO 21 HORAS TEATRO CIEE (Av. Dom Pedro II, 861)
INGRESSOS = R$ 20,00 Vendas na Loja Bellenzier Pneus (Av. Dom Pedro II, 1168), de segunda a sexta, das 12 às horas e sábados, das 09 às 12 horas. Telentrega: 3231.4142 (de segunda à sexta-feira, das 09 às 12 e das 14 às 19 horas). Entregas somente em Porto Alegre, com taxa de R$ 20,00 por entrega, independente do número de ingressos.
SÃO PAULO DIA 02 DE OUTUBRO (DOMINGO) 18HS SESC BOM RETIRO (Alameda Nothman, 185) INGRESSOS = R$ 24,00 (inteira) R$ 12,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes) R$ 6,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e denpendentes)
Ondas que levam tristezas, trazem alegrias. Na costa do mar da Galícia, o Grupo Corpo buscou material poético para criar “Sem Mim”. Do outro lado do oceano, trouxeram a poesia galego-portuguesa das “cantigas de amigo”, do poeta Martín Codax (século 13). Sua melodia e métrica foram absorvidas e recriadas no ambiente de misturas brasileiro.
O rico encontro gerou a trilha de Carlos Núñez e José Miguel Wisnik. A musicalidade do Brasil é assunto comum na dança ou no teatro, porém dificilmente se consegue fugir dos clichês aos quais essa temática está condicionada.
“Sem Mim” se afasta do óbvio ao apresentar uma pesquisa pautada no elo de ancestralidade entre Europa e América, destrinchando-o na sonoridade contemporânea.
O lirismo feminino das “canções de amigo” encontra seu referencial na música popular brasileira, o que fica visível nas junções instrumentais e vocais. O mesmo refinamento acontece na movimentação. A companhia realiza com maestria o trânsito de informações que é princípio condutor da formação de uma cultura mestiça.
Na verdade, trata-se de um espiralamento de camadas - uma estrutura instigante. São muitas as camadas, que atravessam de forma indisciplinar a história, atando o século 21 à Idade Média (época em que Martin Codax escreveu as Canções de Amigo que Carlos Núñez e José Miguel Wisnik transformaram em uma trilha espetacular). O vem e vai no tempo é incessante, simultaneamente linear e transversal, e está em tudo: na música, na cenografia, nos figurinos, na coreografia. Ao mesmo tempo em que as referências vão sendo depositadas, transformam-se em seus próprios rastros, e produzem o traço singular de sem mim: a sua textura, que vira o amálgama que tudo reúne.
Graças ao patrocínio do Santander, o sonho de uma turnê do Carlos Núñez e o seu grupo no Brasil fará-se realidade a primeira semana de outubro.
As cidades serão Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
Mais informação em breve.
Em Radio Inconfidência www.inconfidencia.com.br
Viamundo desta segunda-feira traz uma entrevista com o músico galego Carlos Nuñez, que lançou no início do ano o álbum “Alborada do Brasil”.
Wisnik compôs para a companhia mineira as trilhas sonoras de Nazareth, Parabelo (com Tom Zé) e Onqotô (com Caetano Veloso).
Graças à parceria com o paulistano, Núñez vai assinar a trilha sonora do próximo espetáculo do Grupo Corpo, seu primeiro trabalho para um grupo de dança.
+ info numa entrevista realizada em Belo Horizonte durante uma visita ao Grupo Corpo.





